A ativista brasileira Marielle Franco será homenageada nesta terça-feira (4) com a Medalha W.E.B. Du Bois, a mais alta honraria concedida pela Universidade de Harvard no campo dos Estudos Africanos e Afro-Americanos.
Pela primeira vez, uma personalidade brasileira recebe a distinção.
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Marielle também será a segunda pessoa da América Latina a receber a honraria. No ano passado, o prêmio foi concedido à vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez.
Criada pelo Instituto de Pesquisas Afro-Americanas de Harvard, a Medalha W.E.B. Du Bois reconhece indivíduos nos Estados Unidos e em todo o mundo por suas contribuições à cultura africana e afrodescendente e à vida intelectual.
Além de Marielle, outros sete nomes de destaque serão homenageados nesta edição. São eles: James E. Clyburn congressista norte-americano e líder histórico do movimento pelos direitos civis; Misty Copeland, bailarina e escritora, primeira mulher negra a alcançar o posto de bailarina principal no American Ballet Theatre; Brittney Griner, jogadora profissional de basquete e ativista pelos direitos LGBTQIAPN+; George E. Johnson, empresário e pioneiro na indústria de cosméticos voltada à população negra; Spike Lee, cineasta e roteirista referência no cinema negro; e Amy Sherald, artista plástica reconhecida internacionalmente.
Entre os premiados de anos anteriores estão acadêmicos, artistas, escritores, jornalistas, filantropos e servidores públicos cujos trabalhos fortaleceram o campo dos Estudos Africanos e Afro-Americanos.
Instituto reforça legado de Marielle
No início de 2018, o Instituto de Pesquisas Afrolatino-Americanas (ALARI), da Universidade de Harvard, convidou Marielle para participar do simpósio “Afrodescendentes no Brasil: conquistas, desafios atuais e perspectivas para o futuro”, realizado em abril daquele ano.
Referência na defesa dos direitos humanos, Marielle Franco dedicou sua vida à luta contra a violência de Estado e à valorização das mulheres negras, da população LGBTQIAPN+ e das comunidades periféricas.
Em 2016, foi eleita vereadora da cidade do Rio de Janeiro, tornando-se a única mulher negra entre os 51 parlamentares da Câmara Municipal. Durante o mandato, presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e denunciou sistematicamente a brutalidade policial nas favelas cariocas.
Seis semanas antes do evento e apenas um dia após criticar publicamente a violência policial em sua comunidade, Marielle foi assassinada a tiros no Rio de Janeiro junto com o motorista Anderson Gomes. O crime que chocou o mundo e permanece como símbolo da luta por justiça e igualdade racial.
Durante a homenagem, o diretor fundador do ALARI, Alejandro de la Fuente, destacou o impacto de Marielle e o caráter imortal de seu legado.
“Foi porque mulheres como ela desafiaram e transformaram as estruturas de poder, enfrentando o racismo, o sexismo e a LGBTQIA+fobia, que sua preciosa vida foi tirada. Mas o que quero enfatizar aqui hoje é que eles fracassaram. Seus assassinos e seus patrocinadores vis foram derrotados. Marielle esteve conosco durante o simpósio; eles não conseguiram apagá-la. Fracassaram. Marielle veio ao ALARI, e depois disso, nunca mais saiu daqui”, destacou.
O diretor também enfatizou a importância de trazer a memória da ativista.
“Nosso campo, o dos Estudos Afrolatino-Americanos, é alimentado pelas lutas por justiça e inclusão, nutrido por mulheres como Marielle. Isso não se mata. Marielle Franco é vida — e a vida não se mata. É por isso que o legado de Marielle está aqui conosco hoje, em Harvard, para celebrar a vida”, concluiu.