Centenas de pessoas se reuniram nos portões do Parlamento irlandês em Dublin na última quinta-feira (21) para protestar contra a morte do congolês Yves Sakila. Os manifestantes ergueram cartazes com os dizeres “Justiça para Yves” e pediram que o nome da vítima não fosse esquecido.
“Estamos aqui para perguntar por que esta jovem vida foi tirada? Como ela foi tirada? Nós perdemos a noção como seres humanos de que temos o sentido de proteger uns aos outros?”, disse a doutora Salome Mbugua, que falou do pódio durante o protesto.
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A Rede Irlandesa Contra o Racismo (INAR) classificou as imagens do incidente como “muito perturbadoras”. A organização acompanha o caso junto com a polícia e a ouvidoria.
Bertie was right!
— MichaeloKeeffe (@Mick_O_Keeffe) May 18, 2026
Congolose man Yves Sakila was allegedly caught shoplifting in Dublin and then went on to assault a pensioner as he attempted to escape.
He was caught and held by security, but then he died in hospital after becoming unresponsive on the scene.
This is… pic.twitter.com/ItvnJWaC7G
Yves Sakila, homem de 35 anos natural da República Democrática do Congo, morreu no dia 15 de maio em Dublin. Seguranças o detiveram na Henry Street, uma movimentada rua comercial do centro da capital irlandesa, por um suposto furto em loja.
Imagens do incidente circulam nas redes sociais. Os vídeos mostram Sakila sendo imobilizado no chão por várias pessoas por quase cinco minutos. Em um momento, uma pessoa parece ajoelhar-se sobre sua cabeça ou pescoço. Sakila ficou inconsciente no local e morreu pouco depois no hospital.
A Reuters verificou a localização do vídeo. Os prédios, a calçada e os postes de luz coincidiram com imagens de arquivo da área. A polícia irlandesa confirmou a data da gravação.
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Investigações em andamento
A polícia irlandesa informou que investiga todas as circunstâncias do incidente. O primeiro-ministro Micheál Martin pediu uma apuração completa do caso. A Fiosrú, Escritório do Provedor de Justiça da Polícia, também abriu investigação.
A doutora Ebun Joseph, relatora especial para a proteção contra o racismo na Irlanda, enviou correspondência ao ministro da Justiça, ao comissário da polícia e à diretora da Fiosrú. A informação é do veículo irlandês The Irish Times.
A relatora reconheceu que tanto a polícia quanto a ouvidoria já abriram investigações. Ela argumentou que, devido à gravidade do caso e ao nível de preocupação pública, qualquer exame precisa ser “demonstravelmente independente, imparcial e completo”.
“O conteúdo das imagens que surgiram causou profunda angústia, medo e indignação em muitas comunidades, particularmente entre comunidades negras e de minorias étnicas”, escreveu a doutora Joseph.
“As cenas retratadas são profundamente perturbadoras e levantam questões urgentes e sérias que exigem um exame abrangente.”
A correspondência pede a preservação e o exame de todas as evidências disponíveis, atualizações públicas regulares sobre o progresso das investigações, engajamento significativo com as comunidades afetadas e a consideração de preocupações mais amplas sobre perfilamento racial, uso da força e responsabilização institucional.
Relatora alerta para clima de hostilidade contra migrantes
A doutora Joseph vinculou o incidente ao discurso público na Irlanda sobre migrantes e minorias étnicas.
“Este incidente não existe isoladamente. Ele surge dentro de um clima social e político mais amplo no qual uma retórica cada vez mais hostil em torno de migrantes, refugiados, minorias racializadas e comunidades negras se tornou mais visível e, por vezes, normalizada no discurso público”, afirmou.
Para Joseph, episódios semelhantes colaboram para a desumanização de comunidades vulneráveis e corre o risco de criar um ambiente no qual a violência, a suspeita e o tratamento desigual se tornem mais socialmente tolerados.