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Prêmio do Afroturismo anuncia finalistas de 2026

Iniciativa reconhece destinos, experiências e lideranças negras que estão transformando o setor do turismo
Prêmio do Afroturismo 2025 no WTM, em São Paulo.

Prêmio do Afroturismo 2025 no WTM, em São Paulo.

— Terra Preta Produções

22 de março de 2026

O 4° Prêmio do Afroturismo, promovido pela plataforma Guia Negro, vai reconhecer dez categorias que se destacaram no setor em 2025 em 14 de abril de 2026, a partir das 17h30 no auditório transformation, no Expo Center Norte, dentro da maior feira de turismo do continente, o WTM Latin America, em São Paulo.

Finalistas das cinco regiões do país foram escolhidos por jurados do setor, que decidem quem são os vencedores.

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A categoria “melhor conteúdo de afroturismo” tem voto popular pela internet. Já a de “melhor empresa” tem votos abertos, sem finalista pré-definido.

Leia mais: Projeto que institui percurso de afroturismo quilombola é aprovado no Rio Grande do Sul

O ano de 2025 foi de destaque para o afroturismo, que avançou na institucionalização no Ministério do Turismo, no Ministério da Igualdade Racial e também na Embratur.

“Há um movimento crescente e sem volta da consolidação do segmento. O prêmio é uma momento de reunir os atores do mercado, celebrar e reconhecer quem está se destacando e tornando o turismo mais diverso”, afirma Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro e idealizador do prêmio.

A plataforma criou o prêmio em 2023, em versão on-line. O prêmio tem contribuição de quem faz parte do setor e convida jurados de diferentes áreas: agências de viagem, consultores, hoteleiros, guias de turismo e especialistas que têm atuado na área.

Leia mais: Afroturismo no Brasil: um movimento de reparação, educação e fortalecimento econômico

Quem são os finalistas

Melhor profissional do afroturismo:

1 – Valéria Lima, do Afroturismo Amapá

Precursora do afroturismo na região Norte contribuindo há mais de uma década, realiza a Caminhada Macapá Negra, articula com governos e entidades para ampliação do setor no Amapá.

2 – Helcias Pereira, Alagoas

Griot, fez parte da equipe que reconstituiu o Parque Nacional de Palmares. É guia em Palmares, e Maceió, atuando também na Anajô, entidade do movimento negro e no Festival Subindo a Serra.

3 – Julia Madeira, São Paulo

Guia de turismo, fundadora do Rotas Afro, pesquiso e narra as memórias negras das cidades do interior paulista. Precursora do uso da realidade aumentada nas atividades de afroturismo.

4 – Hubber Clemente, São Paulo

Fundador da Afroturismo Hub, consultor em diversidade, articulador junto ao governo de São Paulo, tornou-se presidente da Associação Brasileira de Afroturismo.

5 – Manoela Ramos

Organiza a Feira Litéraria de Boipeba, levou ação para Moçambique e está executando edital de turismo comunitário e negro na Amazônia paraense.

(Solange Barbosa, Tania Neres e Thais Rosa, que venceram as três primeiras edições, não concorreram esse ano e indicaram profissionais entre os finalistas).

Melhor destino nacional:

1 – Recôncavo baiano

Berço do samba, das cerâmicas, da farinha e da resistência negra, com diversos terreiros de candomblé e quilombos. Abriga festas como Boa Morte, Nego Fugido, Lavagem de Santo Amaro e Bembé do Mercado.

2 – São Luís

Capital do Maranhão tem realizado forte trabalho no afroturismo, capacitando o trade, instalou um belo monumento à Diáspora Africana, promove o turismo do quilombo urbano Liberdade e eventos.

3 – Palmares (AL)

Maior quilombo das américas, liderado por Zumbi dos Palmares passou por reformas e investimentos e é local de visita obrigatória para brasileiros que querem entender melhor a história negra.

4 – São Paulo

Subestimada como rota de turismo e do afroturismo, a capital paulista abriga o melhor e maior museu da diáspora africana, Museu Afro Brasil, escolas de samba, Aparelha Luzia e caminhadas negras.

5 – Belo Horizonte

Capital mineira é palco de samba, de gastronomia com herançada diaspora africana (frango com quiabo, angu), congadas, além de Caminhadas Negras. Foi a sede do Congresso Brasileiro de Afroturismo.

(Salvador e Rio de Janeiro que foram vencedoras das três primeiras edições não concorrem em 2026)

Melhor destino internacional:

1 – África do Sul

Vencedora do 1º Prêmio do Afroturismo, o país africano tem recebido brasileiros interessados em intercâmbio, férias e lua de mel. Os voos diretos facilitam a conexão.

2 – Benim

O país que compartilha de cultura e história com a Bahia, articula voo ligando Salvador a Cotonou, acordos bilaterais e passaporte para brasileiros negros da diáspora africana.

3 – Panamá

País da América Central tem investido no turismo com foco na cultura e história negra para se diferenciar e trazer novas possibilidades de turismo para os visitantes.

4 – Jamaica

País da diáspora africana localizada na América Central tem atraído atenção e se tornado destino de brasileiros negros, em busca da conexão com o reggae e com a cultura rastah.

5 – Egito

País do continente africano, berço da humanidade e de diversos conhecimentos, ganhou novo museu com peças antigas e tem propagado a história negra em seus roteiros.

(Colômbia que venceu a segunda e terceira edição do prêmio não concorre neste ano)

Empresa de afroturismo destaque do ano:

Votação aberta para empresas que apoiam ações voltadas ao afroturismo:

1 – Sesc São Paulo

Entidade privada que pauta ações do turismo social ligadas ao afroturismo em diferentes unidades do Estado de SP, com roteiros, cursos, palestras, mesas de debate e integração de novos funcionários.

2 – Belotur

Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte tem a missão de promover a capital mineira como polo de atração turística com visibilidade. Foi patrocinadora do Congresso Brasileiro e do guia de Afroturismo de BH.

3 – CAF

Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe tem investido e apoiado o afroturismo, com parcerias com Embratur e Instituto Feira Preta; promoveu seminários e guia prático.

4 – Loreal

Empresa de cosméticos com sede na Pequena África, no Rio, tem feito programas frequentes de roteiros afrocentrados, além de aumentar a presença de pessoas negras e realizar ações de antirracismo.

5 – BID

Banco Interamericano de Desenvolvimento financiou ações como o Salvador Capital Afro e tem feito trabalho capitaneado por Juliana Bettini de incentivo ao turismo e empreendedorismo negro.

(Copastur, Sebrae Embratur que já venceram a categoria em anos anteriores não concorreram nessa edição)

Melhor criador de conteúdo sobre afroturismo:

Voto popular pela internet

1 – Emile Brito

Baiana viajante, publica sobre estilo de vida, culturas e autoestima. #EmilePorAí esteve nos últimos meses Portugal, Marrocos, São Paulo, Belo Horizonte dando dicas de cabelo, estilo e lugares para visitar.

2 – Rebecca Aletheia

Cidadã do mundo, negra viajante, criadora de conteúdo digital, já visitou 50 países. É fundadora da Bitonga Travel que realiza podcast, tem site e faz viagens com mulheres negras.

3 – Lucas de Matos

Apresentador, escritor “Preto Ozado”, faz conteúdos sobre literatura, arte, cultura e comunicação. Baseado em Salvador, realiza viagens e críticas literárias. É colunista do @guianegro.

Melhor atrativo ou experiência turística:

1 – Muncab – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira  Salvador

Museu localizado no Pelourinho ganhou nova diretoria e diversas exposições, com eventos como lançamentos de livros e sambas. Repatriou diversas obras que estavam nos EUA e inaugurou segundo prédio.

2 – Museu das Favelas – São Paulo

O Museu, em seu novo endereço, realizou diversas exposições ligadas ao povo preto que engajaram público diverso, além de rodas de conversa, estudos e festas ligadas à cultura negra.

3 – Sítio Rosa do Vale – Poço das Antas (RS)

Espaço localizado em Poço das Antas (RS) realiza experiências como samba da uva, além de produzir uvas e a partir delas sucos, vinhos e espumantes. Tudo isso chefiado por uma mulher negra.

4 – Casa Savana  Rio de Janeiro

A mais nova Casa de Cultura e Eventos no centro do Rio de Janeiro. O espaço cultural celebra a diversidade, gastronomia e música em um ambiente de diversidade.

5 – Novo Quilombo – São Luís

Espaço cultural que realiza eventos musicais ligados ao reggae, além de receber grupos de turistas que visitam o Quilombo Urbano da Liberdade. Responsável pela esquina Bob Marley, grafite instagramável.

Melhor experiência Brasil adentro:

1 – Caminhada Olinda Negra – Alafin Oyó

Histórias, dança, música e instrumentos conduzem o percurso realizado pelo Alafin Oyó nas ladeiras de Olinda, em Pernambuco. A experiência é bem diferente do turismo tradicional da cidade.

2 –  Caminhada Belos Horizontes Negros – Sensações Turismo

Feita com prosa, afeto e afronta, o roteiro que percorre o centro da capital mineira ganhou três versões diferentes e tem ampliado o público com escolas, empresas e caminhadas abertas.

3 – Cidade Griot Praia Grande – Marcelo Cardoso

A experiência mostra o centro histórico de São Luís do Maranhão para além do óbvio. A narrativa afrocentrada revela histórias e cultura negra chegou a intercambistas, escolas e público geral.

4 – Brasília Negra – Bianca Daya

O roteiro realizado na Capital Federal é oferecido ao público geral, escolas e empresas. Foi contratada pelo governo federal e eventos realizados na cidade, ampliando o debate.

5 – Caminhada Juiz de Fora Negra – Damata Cultural

Roteiro desenvolvido por Pamela Stéfanie e parceiros já teve parceria com a prefeitura (sendo realizado gratuito ao público) ajudou a pautar novos debates na cidade mineira.

Melhor empreendimento de afroempreendedor ligado ao afroturismo

1 – Dida Bar e Restaurante Rio de Janeiro

Chefiado por Dida Nascimento, o restaurante organiza sambas, jantares africanos e eventos ligados a bares e comidas negras. Agora na Lapa é ponto de encontro da comunidade e local de visita. Foi o segundo mais votado por dois anos no prêmio, mas ainda não o levou.

2 – Teresa Bar Campo Grande (MS)

Bar homenageia Teresa de Benguela, tem cardápio de gastronomia e bebidas autorais, oferecendo comida de boteco, além de músicas ao vivo e ótimas “saideiras”.

3 – Sal da Terra – Salvador

Loja de produtos artesanais, de roupas chefiada por Sandro que faz arte em madeira e recebe roteiros turísticos, além de exposições em museus e eventos com o samba escultural.

4 – Rap Burguer – São Paulo

Restaurante que serve hambúrgueres, na Rua Augusta, com homenagens a rappers, com estética e músicas da cultura. Acolhe eventos e encontros do povo preto.

5 – Zanzibar – Salvador

Restaurante localizado no Santo Antônio Além do Carmo que serve comida autoral, sendo referência para a negritude da cidade. A vista é considerada uma das mais bonitas da capital baiana.

Destaque Guia Negro

Será revelado no dia do prêmio e escolhido pela equipe do Guia Negro.

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