O produtor cultural e engenheiro Dom Filó vai levar a cultura black brasileira para a Europa, onde será homenageado como um dos protagonistas do livro sobre soul afro-latino, no dia 26 de junho, em Berlim, na Alemanha. Antes, o produtor embarca para Lille, na França, onde participará da inauguração da exposição “FUNK: um grito de ousadia e liberdade”, mostra que foi um sucesso no Museu de Arte do Rio (MAR).
O livro “Música Soul Afro-Latina e a Ascensão do Cosmopolitismo Black Power – Paisagens Hemisféricas entre o Harlem Espanhol, o Black Rio e o Panamá”, do pesquisador alemão Matti Steinitz, da Universidade de Bielefeld analisa como o soul se tornou uma “língua franca” diaspórica entre jovens afrodescendentes das Américas, conectando movimentos do Harlem ao Black Rio, passando pelo Panamá.
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O livro também aborda como a música soul, nas décadas de 1960 e 1970, se transformou em uma ponte simbólica e afetiva entre juventudes negras nas Américas, articulando lutas contra o racismo, liberdade, identidade e resistência. A obra é baseada em entrevistas com DJs e ativistas no Brasil, Panamá e Estados Unidos.
Dom Filó, que também é fundador da CULTNE, organização dedicada à memória e à história da população negra no Brasil, participará ainda do evento “Memórias e resistência negra em diálogo com o mundo”, seguido de um debate com o produtor, além da exibição do documentário “Black Rio! Black Power” (2023), de Emilio Domingos.
No debate, Filó vai compartilhar memórias e vivências a frente do Grand Prix e sua atuação como agente cultural em tempos de repressão e resistência durante a ditadura militar dos anos 1970 e a importância do papel transformador dos bailes soul no país nesse período.
Exposição sobre funk e a história do gênero no Brasil
O encontro integra a exposição “FUNK: Um grito de ousadia e liberdade” mergulha na história e nas estéticas do funk brasileiro, destacando seu papel como força de resistência, expressão política e referência para as artes visuais. A mostra evidencia o gênero como reflexo de liberdade e afirmação de uma juventude negra frequentemente marginalizada. A curadoria é do MAR, de Taísa Machado e do próprio Dom Filó.
“O funk e o soul não são apenas música: são manifestações de uma consciência negra que rompeu fronteiras e uniu juventudes das Américas em torno da liberdade, da autoestima e da resistência. É uma honra representar o Brasil nesse e mostrar para o mundo como o funk brasileiro é arte, história e linguagem de afirmação. Essa trajetória nasceu nas favelas, mas fala com o planeta”, afirma Dom Filó em comunicado a imprensa.
O evento será encerrado com um baile de soul, funk e grooves afro-latinos, comandado pelos DJ’s Dom Filó, DJs Radio Vampiro, Bongo -La Reggla e Matatu – Black Atlantic Beatz.