A Mocidade Alegre fez história ao cruzar o Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, na madrugada de sábado (14) para entregar simbolicamente à Léa Garcia o “Kikito de Ouro” como um ato de reparação por seu legado artístico e de resistência. A atriz faleceu em 2023, no dia em que seria homenageada com o troféu no Festival de Gramado.
Com o enredo “Malunga Léa — Rapsódia de uma Deusa Negra”, a escola de samba contou como Léa foi pioneira no Teatro Experimental do Negro (TEN) ao lutar contra esteriótipos enfrentados por atores e atrizes negros, o que abriu os caminhos para as próximas gerações.
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Adriana Lessa representou a atriz no Anhembi. “Como luzes [referência ao seu figurino], Léa Garcia abriu caminhos e mostrou possibilidades na questão social, política e cultural do nosso país”, celebrou em entrevista à Alma Preta.
“Ultrapassou barreiras, foi além das fronteiras, e tem uma história linda que deve ser preservada. E que bom que a gente pode contar histórias, nossas histórias, nessa cultura que é tão maravilhosa também que é o samba e o carnaval”, ressalta Lessa.
“A pele preta é armadura. No palco, expressão de liberdade”
Ponto de partida da homenagem, o título do enredo costura momentos-chave de sua carreira. “Malunga” conecta a luta de Léa Garcia à própria história da escola, celebrando-a como uma irmã e companheira na batalha por representatividade.
A palavra “Rapsódia” remete à peça “Rapsódia Negra”, a primeira em que Léa Garcia atuou no TEN, enquanto “Deusa Negra” é uma referência ao filme africano gravado em 1970, no qual ela interpretou uma sacerdotisa.
O desfile, por sua vez, revisitou momentos emblemáticos na carreira da atriz, como a consagração internacional de Léa no Festival de Cannes e sua atuação marcante em “Escrava Isaura”.