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Livro-reportagem conta história de luta de personalidades negras contra o racismo

Obra de Roniel Felipe narra a história da luta antirracista a partir da experiência de Laudelina de Campos Mello e Antônio Carlos Santos Silva
Retrato de Laudelina de C ampos Mello presente no livro "Etinicidade, Gênero e Educação", de Elisabete Aparecida Pinto.

Retrato de Laudelina de C ampos Mello presente no livro "Etinicidade, Gênero e Educação", de Elisabete Aparecida Pinto.

— Reprodução

7 de março de 2026

O jornalista e fotógrafo Roniel Felipe lançou a terceira edição de “Negros Heróis: histórias que não estão no gibi”, livro-reportagem independente que narra as trajetórias de duas personalidades vitais na luta contra o racismo no país Laudelina de Campos Melo e Antônio Carlos Santos Silva.

A primeira parte da obra conta a vida da ex-empregada doméstica nascida em Poços de Caldas (MG) em 1904, que se dedicou à sindicalização da classe que, para ela, ainda era resquício da escravidão. Laudelina serviu o batalhão feminino de Santos durante a Segunda Guerra Mundial e mesmo com pouco estudo, debateu com políticos poderosos.

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“Quando chegou em Campinas (SP),  nos anos 1960, a cidade vivia uma verdadeiro apartheid. “Laudelina ignorou ameaças, mobilizou outra domésticas negras em piqueniques em  praças onde negros não eram bem vindos e organizou um concurso de beleza negra que atraiu atenção da grande mídia”, conta Roniel sobre a mulher que ficou conhecida como “O Terror dos Patrões”.

Já a segunda parte do livro é dedicada à trajetória do músico e ativista, Antônio Carlos Santos Silva, o TC. Durante os anos de chumbo da ditatura militar, ao lado de outros jovens negros inconformados com o mito da democracia racial, TC fez parte do Evolução, grupo de ativistas que serviu de base para o nascimento do Movimento Negro Unificado no Brasil, em 1978.

“Fala-se muito sobre os jovens que lutaram contra a ditadura, mas pouca gente conhece a história do Evolução. Juntos, eles viajaram pelo Brasil realizando palestras de conscientização de e difundindo estratégias para o bem da  comunidade. Não era raro eles sofrerem com a opressão militar, pois negros eram alvos constantes da repressão”, diz o autor. 

Com mais de 3 mil  exemplares vendidos desde a sua primeira edição, em 2013, a versão atualizada “Negros Heróis” traz mais imagens dos personagens e novas fontes de pesquisa. “As mudanças das leis trabalhistas que auxiliaram em muito as empregadas no governo Dilma Rousseff e documentos que confirmam que TC e seus companheiros de luta foram monitorados pelo exército estão disponíveis para uma nova geração de leitores”, aponta o autor.

A obra pode ser adquirida pelo site ou via Instagram do autor @ronielfelipe.

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