A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC) atendeu na manhã desta terça-feira (23) o dançarino e empresário Gugu Hawaiano, integrante do grupo de funk Os Hawaianos. O artista relatou ter sido brutalmente espancado por policiais durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (19).
Gugu denunciou à CDDHC que os agentes o agrediram com socos no rosto e chutes na costela, além de o ameaçarem na frente de sua família. Como consequência das agressões, ele precisou levar cinco pontos no rosto. O dançarino chegou a ser detido, mas foi liberado em seguida.
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A CDDHC informou que vai oficiar a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para que o caso seja devidamente apurado. A comissão também solicitará que o MP tenha acesso às imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos e que o episódio seja encaminhado para o controle externo da atividade policial.
De acordo com o artista, os agentes o julgaram como criminoso apenas pela sua aparência. Gugu tem o cabelo tingido de vermelho, visual que se tornou sua marca registrada e mantém desde os anos 2000. O grupo “Os Hawaianos” , é conhecido como referência do funk carioca, com sucessos que marcaram gerações e seguem movimentando bailes, rádios e plataformas digitais.
Além das agressões, Gugu relatou estar sofrendo revitimização após o episódio. Segundo ele, contratantes passaram a reduzir os cachês dos shows, o que prejudica não apenas sua carreira solo, mas também a de seus parceiros no grupo.

Comissão acompanha caso e cobra identificação dos responsáveis
A CDDHC seguirá acompanhando o caso até que todas as providências sejam tomadas e os responsáveis pelas agressões sejam identificados e responsabilizados.
Para a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), presidenta da CDDHC,, a ação truculenta da polícia é ainda mais grave por ter como vítima um trabalhador da cultura, e exige apuração urgente, especialmente por ter ocorrido em horário escolar.
“O Ministério Público precisa exercer essa investigação, sobretudo à luz da ADPF 635, que estabelece parâmetros para evitar abusos e proteger vidas. Nossos encaminhamentos são fundamentais para garantir justiça e acolhimento, não apenas ao Gugu, mas a todos que sofrem com a truculência policial”, afirmou a parlamentar em comunicado à imprensa.