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Após pressão popular, comissão do Senado rejeita PEC da Blindagem

A medida, aprovada pela Câmara, pretende dificultar inquéritos e prisões de parlamentares; rejeição foi unânime na CCJ
Cartaz contra PEC da Blindagem, durante manifestação em Brasília (DF), no dia 21 de setembro.

Cartaz contra PEC da Blindagem, durante manifestação em Brasília (DF), no dia 21 de setembro.

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

24 de setembro de 2025

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou, por unanimidade, nesta quarta-feira (24), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021. Apelidada de “PEC da Blindagem”, a proposição condiciona a abertura de inquéritos e prisões contra parlamentares à aprovação do Congresso, a ser realizada por votação anônima.

Após manobra regimental e com amplo apoio da direita, a proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 17 de setembro. Em resposta, partidos contrários à medida acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a suspensão da PEC.

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Os 26 parlamentares que integram a CCJ votaram a favor do parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que rejeita o texto legislativo. A pauta ainda deve ser votada no plenário.

Durante a sessão da comissão, o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que a proposição cria favorecimento injustificável aos parlamentares e a descreveu como um “crime lesa-pátria”.

“A PEC cria privilégios injustificáveis. Eu cito o fim do voto secreto, que protege todos os parlamentares, de vereador a senador, e ainda os presidentes de partido. […] Eu tenho certeza que essa PEC, hoje, aqui na CCJ, irá para uma cova profunda. Que ela seja enterrada definitivamente sem velório”.

Apesar de votar contra a PEC, o senador Magno Malta (PL-ES) discursou a favor do projeto, afirmando que há uma “ditadura da toga” no Brasil e que os deputados são chantageados pelo Judiciário e por isso estão “desesperados”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não participou da votação na CCJ, por ser suplente, mas discursou em defesa da matéria. Para o parlamentar, há uma perseguição contra a direita no Brasil e, se tudo “estivesse normal” no país, essa PEC “jamais estaria sendo votada”.

Mais de 1 milhão de brasileiros são contra a PEC

Na última terça-feira (23), a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou o abaixo-assinado contra a PEC da Blindagem, que obteve mais de 1,5 milhão de assinaturas.

A iniciativa foi lançada no domingo (21), data em que milhares de pessoas foram às ruas pedir a suspensão da tramitação da proposta. As manifestações ocorreram em 33 cidades, incluindo capitais como Salvador, Recife, Natal, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. Somente na capital paulista, o ato reuniu mais de 42 mil pessoas.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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