O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou nesta sexta-feira (26) na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de um plenário esvaziado. A delegação brasileira, representantes de países árabes e muçulmanos, além de diplomatas de nações africanas e algumas europeias, deixaram o salão antes do início de sua fala.
Netanyahu afirmou que Israel “vai terminar o trabalho” em Gaza e disse que pretende fazê-lo “o mais rápido possível”. Ele ordenou que o Exército posicionasse alto-falantes ao redor da Faixa de Gaza para transmitir seu discurso e afirmou que serviços de inteligência israelenses o exibiram em celulares dentro do território.
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Durante a fala, exigiu a rendição da liderança do Hamas, a entrega das armas e a libertação dos reféns.
Delegates walk out in protest as Israeli PM Benjamin Netanyahu – who has an ICC arrest warrant against him for alleged war crimes in Gaza – arrived at the podium to address the #UNGA80 assembly. pic.twitter.com/1oXNP14wPk
— Al Jazeera English (@AJEnglish) September 26, 2025
Horas antes do discurso, a Defesa Civil de Gaza informou que ao menos 22 pessoas foram mortas em diferentes localidades do território palestino. O Exército israelense declarou que a força aérea havia realizado ataques contra mais de 140 alvos, incluindo combatentes, túneis e infraestrutura militar.
A escalada ocorre em meio a denúncias contra Netanyahu no Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, o que reforça o isolamento diplomático de Israel.
Reações palestinas e reconhecimento internacional
Na véspera, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursou de forma remota após ter o visto de entrada nos Estados Unidos negado pela administração Trump. Ele reafirmou que os palestinos “jamais deixarão Gaza, apesar de todo o sofrimento”.
A semana da Assembleia também foi marcada pela decisão de dez países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, de reconhecer oficialmente o Estado da Palestina.
Fora do ambiente da ONU, Netanyahu enfrentou manifestações organizadas por ativistas israelenses em Nova Iorque. O grupo se concentrou diante de seu hotel, exibindo cartazes com frases como “Salvem Israel de Netanyahu”, “Parem a guerra” e “Libertem todos”.
Os manifestantes, formados em grande parte por expatriados israelenses, defendem o fim da ofensiva militar em Gaza e a libertação dos reféns. Os protestos retomaram um movimento que já havia ganhado força em 2023, quando o governo Netanyahu promoveu uma controversa reforma judicial, gerando mobilizações em Israel e entre comunidades judaicas nos Estados Unidos.