Amigos e familiares se despediram do bailarino, coreógrafo e professor Gilmar Sampaio, que morreu em 21 de abril, em seu apartamento em Salvador, por causas naturais, segundo informou a Casa do Mensageiro, terreiro onde o artista exercia o cargo de Asogba (posição de liderança ligada ao orixá Obaluaiê).
A partida do artista mobilizou uma série de homenagens de órgãos culturais, colegas de cena e instituições religiosas.
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A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) afirmou que a morte de Gilmar Sampaio deixa “uma lacuna irreparável no cenário da dança baiana”. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) reverenciou o bailarino como “um dos nomes mais importantes da dança na Bahia”.
Integrante do Balé Teatro Castro Alves (BTCA) por mais de três décadas, Gilmar Sampaio ajudou a moldar a história da companhia pública de dança da Bahia. Bailarino de técnica reconhecida, ele transitava entre o balé clássico e as danças afro-brasileiras, marcas que definiram sua carreira.
Sua atuação, no entanto, ultrapassou os palcos. Ele também se destacou como cantor em espetáculos do BTCA e como formador de novos artistas. O perfil oficial do BTCA nas redes sociais prestou homenagem ao artista.
“Gilmar construiu uma trajetória marcada pela força da cultura afro-brasileira, pela atuação como artista e educador, e por sua presença nos palcos e nos processos formativos”, escreveu a companhia, que relembrou obras como “Sanctus”, “Saurê” e “Viramundo” como marcos de sua passagem.
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Ancestralidade e fé
A trajetória de Gilmar Sampaio também se consolidou na fé e na dedicação às tradições de matriz africana. Como Asogba do Ilê Asé Ojisé Olodumare (Casa do Mensageiro) e liderança na Associação Cultural e Social Olojá — O Senhor do Mercado, ele desempenhou papel fundamental na preservação da espiritualidade e do patrimônio cultural da Feira de São Joaquim.
A Casa do Mensageiro publicou em seu perfil nas redes sociais uma nota de despedida.
“Sua partida representa uma perda imensurável para todos nós. Foi uma figura de máxima importância na construção, fortalecimento e condução de nossa casa, dedicando sua vida com compromisso, sabedoria e generosidade. Seu legado permanecerá vivo em cada ensinamento, em cada gesto e na memória de todos que tiveram a honra de caminhar ao seu lado”, escreveu o terreiro.
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi) também prestou homenagem.
“Gilmar não estabelecia fronteiras entre o sagrado e o palco; sua arte era extensão de sua vivência religiosa, em que cada movimento no BTCA carregava a força e a profundidade de suas raízes. Por mais de três décadas, uniu rigor técnico à estética afro-baiana, transformando a dança em espaço de celebração, resistência e afirmação da identidade negra”, escreveu a secretaria.
A Sepromi expressou solidariedade aos familiares, ao terreiro Casa do Mensageiro e à comunidade artística. “Que a ancestralidade o acolha em luz”, concluiu.