O livro “Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível”, da fotógrafa Marcela Bonfim, propõe uma reflexão sobre a presença e a invisibilização de pessoas negras na região amazônica. Lançada pela editora Ingrá Kniga, a obra busca discutir identidade, território e os efeitos históricos da racialização no Brasil.
A publicação é a primeira da autora e parte da sua experiência em Porto Velho, em 2010, quando passou a registrar comunidades negras, quilombolas, indígenas e de origem caribenha na região.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Em nota à imprensa, Bonfim explica que a vivência impulsionou um processo de reconhecimento identitário e deu origem a uma investigação sobre os lugares ocupados por pessoas negras na Amazônia.
Leia mais: Amazônia Legal tem 280% mais territórios quilombolas que registros oficiais, revela mapeamento
“Sendo a imagem da Cor pano de fundo das relações de privilégio ainda vigentes no Brasil, além das aflições físicas vinculadas às péssimas condições de sobrevivência das populações escravizadas, a Cor escura foi condicionada como espectro (psicológico), peça-chave da máquina de exploração europeia”, explica.
A obra ainda analisa como a cor da pele foi associada, ao longo do tempo, a processos de desumanização e exploração. A fotógrafa discute a formação de um imaginário coletivo que classificou corpos negros a partir de critérios visuais, em uma lógica de inferiorização que sustentou práticas excludentes.
Leia mais: Garimpo ilegal na Amazônia é denunciado à comissão internacional