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Artista nigeriano destaca sorriso de jovens negros da Maré em exposição no Rio

Mostra retrata os rostos sorridentes de 20 jovens negros entre 13 e 18 anos da favela da Maré
Gabriel e Thiago são alguns dos jovens da Maré que participam da exposição "Meninos que sorriem".

Gabriel e Thiago são alguns dos jovens da Maré que participam da exposição "Meninos que sorriem".

— Divulgação/Kay Rufai

29 de maio de 2026

O premiado artista britânico-nigeriano Kay Rufai apresenta uma exposição fotográfica inédita no Brasil que desconstrói estereótipos negativos sobre meninos e homens negros nas favelas do Rio ao destacar seus sorrisos. “Meninos Que Sorriem” será inaugurada nesta sexta-feira (29) na Praça Mauá, no Centro do Rio, e fica em cartaz apenas por um dia, de forma gratuita e aberta ao público.

A abertura da exposição integra o Festival Masculinidades, que apresenta uma programação gratuita de shows, debates e workshops sobre a masculinidade com base no cuidado e a igualdade de gênero no Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio na mesma data.

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A mostra retrata os rostos sorridentes de 20 jovens negros entre 13 e 18 anos da favela da Maré, no Rio, e vai de encontro às narrativas de violência e desumanização que, de forma frequente, definem as comunidades das favelas. Ao apresentar meninos negros da Maré a partir da ternura, vulnerabilidade e cuidado, a exposição combate estereótipos raciais nocivos, destacando a alegria negra. Sorrir se torna um ato de resistência.

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Em colaboração com os artistas brasileiros Math de Araújo e Diego Reis, Kay Rufai colocou a câmera nas mãos de jovens e meninos negros do maior complexo de favelas do Rio para criar, de forma coletiva, uma obra de resistência visual, capturando os mundos dos meninos, momentos de amizade e seus cotidianos.

Rai, jovem de 18 anos, foi um dos participantes do projeto “Meninos que sorriem”. (Créditos: Kay Rufai)

Ao longo de várias semanas de 2025, por meio de um programa criativo baseado em pesquisa, os artistas e os jovens da Maré criaram um espaço para suas expressões por meio da arte, combinando fotografia, poesia, reflexão e narrativa.

As oficinas aconteceram logo após a operação policial mais letal da história do Rio, quando mais de 120 pessoas foram mortas em uma favela vizinha – eventos que impactaram diretamente muitos dos meninos e pessoas envolvidas no projeto, que enfrentam a vigilância do Estado.

A exposição chega em um momento em que, internacionalmente, homens e meninos negros enfrentam limitações como resultado de narrativas racializadas desumanizantes e ideias limitadas de masculinidade, e estão sob maior risco de violência estatal.

Para esses jovens negros, o simples ato de sorrir é repleto de impacto e poder. E é uma representação de homens e meninos negros que ainda não estamos acostumados a ver, cheios de vulnerabilidade e alegria.

“Eu queria criar imagens que rejeitassem as formas limitadas como os meninos negros são frequentemente retratados. Na Maré, apesar das realidades que esses jovens enfrentam, encontrei ternura, humor, imaginação, cuidado e uma alegria profunda. Este trabalho questiona o que acontece quando os meninos negros são centrados não no trauma, mas em sua humanidade. O sorriso, neste contexto, se torna muito mais do que uma expressão — mas resistência”, declara o autor Kay Rufai. 

Meninos Que Sorriem é um projeto internacional liderado por Rufai há mais de uma década, com edições em Londres e Los Angeles. A exposição fotográfica faz parte de uma narrativa global sobre a infância negra, masculinidade, violência estatal, cura e o poder de imagens que desafiam estereótipos da diáspora negra.

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