A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e a Defensoria Pública da União (DPU) denunciaram, na segunda-feira (9), um caso de tortura cometido contra um integrante da etnia Marubo dentro da Terra Indígena (TI) do Vale do Javari, no Amazonas.
Segundo a organização, o caso ocorreu no dia 3 de março. Ao pescar sozinho próximo à aldeia Beija-Flor, a vítima foi cercada por pescadores ilegais que invadiram o território e aacusaram de roubo. O indígena foi ameaçado de morte, amordaçado e amarrado pelas mãos e pés. Em seguida, os homens o deixaram à deriva em sua própria canoa e levaram seu celular.
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A Univaja informou que o indígena só foi encontrado cerca de 24 horas depois do ocorrido, tendo permanecido o tempo todo no barco, exposto à “situação de grave perigo”.
O grupo também destaca que, três dias após o episódio, na última sexta-feira (6), os suspeitos ainda permaneciam na TI. Em decorrência da violência, a comunidade solicitou apoio urgente à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ao Ministério Público Federal (MPF). A Polícia Federal (PF) em Tabatinga (AM) também foi acionada, mas teria declarado que não havia contingente para o porte da operação.
A Defensoria, em nota, declarou que solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) providências urgentes para o reforço da proteção territorial no local, o mesmo onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados, em 2022. O órgão ainda pede a contenção de possíveis invasões à terra indígena e a proteção das comunidades da região.
A União recorda que as imediações do alto Rio Ituí abrigam tanto comunidades que mantêm largo grau de contato com a sociedade externa quanto comunidades de recente contato. A invasão, aponta a entidade, põe em risco o cordão sanitário e o de segurança, garantias de responsabilidade do Estado.
Texto com informações da Agência Brasil.