Coberturas, campanhas e iniciativas inéditas marcaram o ano de 2025 da Alma Preta, e esse trabalho só foi possível com o seu apoio. Com o nosso financiamento coletivo no Catarse, conseguimos produzir projetos que promovem impactos e fortalecem um jornalismo que tem compromisso com a luta do povo negro, com a diversidade e com a justiça social.
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A cobertura de catástrofes mundiais que geralmente não têm a mesma atenção da mídia hegemônica, como a Guerra da República Democrática do Congo, ou a realização da campanha “Corredor em Perigo” são exemplos de projetos de grande impacto da agência, que tem um compromisso com a vida do povo negro mundo afora.
Para a sócia e diretora da Alma Preta, Elaine Silva, a campanha de financiamento da agência é fundamental para a construção de projetos, principalmente daqueles que apresentam uma dificuldade maior em financiamento por outras receitas.
“Geralmente são produtos que trazem investigações que influenciam a opinião pública e desafiam a lógica imposta por grandes organizações privadas. A população negra tem direito a um jornalismo ético, técnico e com qualidade, e a nossa campanha de doações é a principal receita para viabilizar esse trabalho na nossa agência”, destaca.
O jornalista e um dos fundadores da Alma Preta, Pedro Borges, esteve na República Democrática do Congo (RDC) e percorreu sete cidades do país africano para relatar e produzir debates sobre o conflito que já dura mais de três décadas. A viagem à RD Congo só foi possível por causa do financiamento do Catarse.
“Essa cobertura da RDC só foi possível a partir da nossa campanha. Eu acho que ela é importante para alguns projetos especiais, quando a gente consegue colocar o dinheiro que os assinantes depositam na gente, como confiança, para fazer o nosso trabalho com tranquilidade”, afirma Borges.
Abaixo, conheça mais sobre as iniciativas da agência que tiveram o seu apoio em 2025:
Cobertura RD Congo
Há cerca de 30 anos, a República Democrática do Congo, país localizado na África Central, enfrenta um conflito com diferentes grupos armados com estimativa de dez milhões de pessoas. Apesar da catástrofe, a guerra não recebe o mesmo holofote da imprensa ocidental. Diante desse silêncio, a Alma Preta percorreu sete cidades do país africano com uma cobertura aprofundada e sensível à realidade da população congolesa para produção de matérias em campo sobre a crise humanitária. Os materiais foram reconhecidos pela “Cultures of Resistance Awards”, premiação internacional que destaca o ativismo criativo e iniciativas com foco social.
Campanha “Corredor em Perigo”
Criada pela Alma Preta em parceria com a agência Lew’Lara\TBWA, a campanha denuncia o racismo estrutural enfrentado por pessoas negras ao realizar atividades físicas em espaços públicos e contou com a presença do atleta negro Weslley Caitano, que correu pelas ruas de Niterói vestindo um simulacro de colete à prova de balas, para simbolizar a insegurança vivida por corredores negros no Brasil. Lançada em março de 2025, a campanha já conquistou seis prêmios neste ano, incluindo o Leão de Prata no Cannes Lions 2025, maior festival de criatividade do mundo. No 50º Clube de Criação, em outubro, a iniciativa ganhou em quatro categorias.
Alma Pretinha
A iniciativa reúne reportagens, análises, podcasts e materiais didáticos voltados à primeira infância com ênfase no recorte racial. A proposta é centralizar conteúdos sobre educação, saúde, desenvolvimento, política pública e cultura, trazendo dados, literatura e orientações para famílias e educadores. O espaço fortalece a representatividade e autoestima de crianças e famílias negras.
COP30
Durante onze dias da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), a equipe da Alma Preta esteve em Belém para a produção de uma cobertura com prioridade para a narrativa e reivindicação de comunidades quilombolas e povos originários, cruciais para o debate sobre preservação climática e justiça social.
Dentre os destaques dos conteúdos produzidos pela agência estão investigações sobre empresas com histórico de violações ambientais que participaram da COP30, os impactos das obras para a Conferência em comunidades de Belém e a série de denúncias sobre racismo ambiental na região Amazônica.
Tem Clima Pra Isso?
Apresentado pelas comunicadoras socioambientais Jessilane Alves e Amanda Costa, o programa é uma série coproduzida pela Alma Preta com o Canal Futura e propõe debater a crise climática a partir de uma perspectiva antirracista com foco em experiências de populações negras, indígenas e periféricas.
Ao longo de 24 episódios, que vão ao ar até abril de 2026, o programa convida o público a compreender como as mudanças climáticas afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais, revelando que as soluções para o futuro do planeta também passam pela justiça social e ambiental. Os episódios são exibidos às quintas-feiras, às 22h, no Canal Futura e no Youtube da Alma Preta.
Marcha das Mulheres Negras
Em novembro, a Alma Preta se fez presente na 2ª Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, que teve como tema “Bem Viver e Reparação Histórica”. O evento histórico reuniu mais de 300 mil pessoas entre ativistas, personalidades públicas e lideranças negras de diversos países em protesto pelas ruas da capital do país.
As reivindicações incluíram maior ocupação de espaços de poder, celeridade em casos de violência contra mulheres negras e familiares, o fim da violência à juventude negra, o acesso público a arquivos do Judiciário relacionados à escravidão, entre outras.
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