O Museu do Samba, no Rio de Janeiro, inaugurou a exposição “Guardiãs do Samba”, mostra individual da artista plástica, artesã, cantora e compositora Aninha Portal. O trabalho tem como propósito salvaguardar o legado das matriarcas deste Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, ao homenagear e dar visibilidade a mulheres que lutaram para ocupar seu lugar de direito na história do gênero e no cenário cultural.
A mostra, que fica em cartaz até 27 de junho, traz 53 telas com cores vibrantes, combinando tintas, texturas e flores, e aplicação de técnicas de colagem, pontilhismo, pintura abstrata, e materiais como pasta acrílica e, em algumas peças, folhas de ouro.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Os rostos das homenageadas são fotografias impressas em preto e branco sobre lona, finalizadas com tinta acrílica. Fora as telas, o público também pode conferir quadros com elementos tridimensionais e um manifesto artístico contra o feminicídio e a violência contra a mulher. Os dotes de artesã aparecem ainda em abajures e luminárias compostos com materiais reaproveitados, além de móveis e indumentárias customizados.
Leia mais: Arquivo do TJRJ preserva histórias de figuras do samba
O percurso de contemplação reverencia grandes ícones femininos: a mostra abre com o retrato de Dona Zica, grande liderança do Morro da Mangueira, esposa do compositor Cartola e avó dos fundadores do Museu do Samba. Há uma parede dedicada a três cantoras ícones da Estação Primeira de Mangueira: Beth Carvalho, Alcione e Leci Brandão.
A Portela é representada por Tia Surica, pastora da Velha Guarda, por Clara Nunes e por Teresa Cristina, da mais recente geração de grandes cantoras do samba. Outro grande destaque é o setor que agrupa pioneiras da cultura do samba, a começar por Tia Ciata, seguida por Dona Ivone Lara, Tia Doca da Portela e Elza Soares.
Formado por Nilcemar Nogueira, Vera de Jesus e Selma Candeia – respectivamente netas de Cartola e Clementina de Jesus, e filha de Candeia -, o grupo Matriarcas do Samba também é homenageado.
Celebrando o encontro de gerações, a exposição destaca jovens sambistas, como Luz Fogaça e Amanda Amado, esta última neta de Tia Gessy, a matriarca que comanda o Pagode da Tia Gessy, roda de samba mais longeva do Rio de Janeiro, em atividade há quase 50 anos no Cachambi – na mostra, vó e neta aparecem retratadas lado a lado.
A preocupação da artista Aninha Portal com a preservação do meio ambiente aparece em uma série de luminárias e abajures concebidos com instrumentos musicais reutilizados e materiais reaproveitados.
O grande atrativo fica por conta das luminárias exclusivas, como a “Meu Nome é Favela”, que demandou um mês de produção e foi construída com embalagens de remédios, papelão, isopor, acetato, rolo de papel, musgo e arame; a bela Iemanjá, presente no primeiro setor da exposição; e a “Casa de Dona Zica e Cartola”, peça inspirada em uma foto de Walter Firmo e composta em papelão, acetato, flores de tecido, entre outros materiais, que reproduz com riqueza de detalhes a casa onde morava o icônico casal mangueirense, a poucos metros de onde hoje funciona o museu.
“Como mulher cantora, compositora e sambista que sou, resolvi homenagear esse universo, essas potências do samba… mostrar a mulher que faz o samba acontecer compondo, cantando, produzindo, liderando coletivos, regendo baterias, mulheres que tocam, que dançam, que estão nas escolas de samba, que comandam rodas de samba… aquelas que desbravaram e deixaram um legado tão rico, assim como as que estão chegando para perpetuar esse legado”, explica Aninha Portal.
Leia mais: ‘Barreiras estruturais limitam mulheres negras em espaços de decisão’, diz presidenta da Mangueira
Serviço
O quê: Exposição “Guardiãs do Samba”
Quando: até 27 de junho de 2026, de terça a sábado, das 10h às 17h
Onde: Museu do Samba | Rua Visconde de Niterói, 1296 – Mangueira, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia entrada)