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Exposição celebra legado artístico, político e social de mulheres sambistas

Além de destacar a história cultural das homenageadas, mostra se posiciona contra o feminicídio e pela consciência ecológica, por meio de telas, instalações e peças artesanais
Quadros de grandes sambistas na exposição "Guardiãs do samba", no Museu do Samba, no Rio de Janeiro.

Quadros de grandes sambistas na exposição "Guardiãs do samba", no Museu do Samba, no Rio de Janeiro.

— Divulgação/Thaís Brum

9 de maio de 2026

O Museu do Samba, no Rio de Janeiro, inaugurou a exposição “Guardiãs do Samba”, mostra individual da artista plástica, artesã, cantora e compositora Aninha Portal. O trabalho tem como propósito salvaguardar o legado das matriarcas deste Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, ao homenagear e dar visibilidade a mulheres que lutaram para ocupar seu lugar de direito na história do gênero e no cenário cultural.

A mostra, que fica em cartaz até 27 de junho, traz 53 telas com cores vibrantes, combinando tintas, texturas e flores, e aplicação de técnicas de colagem, pontilhismo, pintura abstrata, e materiais como pasta acrílica e, em algumas peças, folhas de ouro.

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Os rostos das homenageadas são fotografias impressas em preto e branco sobre lona, finalizadas com tinta acrílica. Fora as telas, o público também pode conferir quadros com elementos tridimensionais e um manifesto artístico contra o feminicídio e a violência contra a mulher. Os dotes de artesã aparecem ainda em abajures e luminárias compostos com materiais reaproveitados, além de móveis e indumentárias customizados.

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O percurso de contemplação reverencia grandes ícones femininos: a mostra abre com o retrato de Dona Zica, grande liderança do Morro da Mangueira, esposa do compositor Cartola e avó dos fundadores do Museu do Samba. Há uma parede dedicada a três cantoras ícones da Estação Primeira de Mangueira: Beth Carvalho, Alcione e Leci Brandão.

A Portela é representada por Tia Surica, pastora da Velha Guarda, por Clara Nunes e por Teresa Cristina, da mais recente geração de grandes cantoras do samba. Outro grande destaque é o setor que agrupa pioneiras da cultura do samba, a começar por Tia Ciata, seguida por Dona Ivone Lara, Tia Doca da Portela e Elza Soares.

Formado por Nilcemar Nogueira, Vera de Jesus e Selma Candeia – respectivamente netas de Cartola e Clementina de Jesus, e filha de Candeia -, o grupo Matriarcas do Samba também é homenageado.

Celebrando o encontro de gerações, a exposição destaca jovens sambistas, como Luz Fogaça e Amanda Amado, esta última neta de Tia Gessy, a matriarca que comanda o Pagode da Tia Gessy, roda de samba mais longeva do Rio de Janeiro, em atividade há quase 50 anos no Cachambi – na mostra, vó e neta aparecem retratadas lado a lado.

A preocupação da artista Aninha Portal com a preservação do meio ambiente aparece em uma série de luminárias e abajures concebidos com instrumentos musicais reutilizados e materiais reaproveitados.

O grande atrativo fica por conta das luminárias exclusivas, como a “Meu Nome é Favela”, que demandou um mês de produção e foi construída com embalagens de remédios, papelão, isopor, acetato, rolo de papel, musgo e arame; a bela Iemanjá, presente no primeiro setor da exposição;  e a “Casa de Dona Zica e Cartola”, peça inspirada em uma foto de Walter Firmo e composta em papelão, acetato, flores de tecido, entre outros materiais, que reproduz com riqueza de detalhes a casa onde morava o icônico casal mangueirense, a poucos metros de onde hoje funciona o museu.

“Como mulher cantora, compositora e sambista que sou, resolvi homenagear esse universo, essas potências do samba… mostrar a mulher que faz o samba acontecer compondo, cantando, produzindo, liderando coletivos, regendo baterias, mulheres que tocam, que dançam, que estão nas escolas de samba, que comandam rodas de samba… aquelas que desbravaram e deixaram um legado tão rico, assim como as que estão chegando para perpetuar esse legado”, explica Aninha Portal.

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Serviço

O quê: Exposição “Guardiãs do Samba”

Quando: até 27 de junho de 2026, de terça a sábado, das 10h às 17h

Onde: Museu do Samba | Rua Visconde de Niterói, 1296 – Mangueira, Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia entrada)

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