O documentário “Aqui não entra luz”, da diretora Karol Maia, realiza sessões especiais de estreia no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador entre os dias 7 e 9 de maio. O filme parte do “quarto de empregada”, espaço recorrente em casas e apartamentos brasileiros, para investigar como a arquitetura foi projetada para segregar corpos e sustentar hierarquias sociais.
A diretora interpreta o cômodo como uma continuidade simbólica da lógica da senzala e da Casa Grande. Pequeno, isolado e frequentemente mal iluminado, o espaço revela como estruturas históricas de desigualdade permanecem naturalizadas na arquitetura e no cotidiano.
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No Rio de Janeiro, a sessão será na quinta-feira (7), às 20h30, no Estação NET Rio. O evento conta com bate-papo após a exibição. Participam a diretora Karol Maia, a atriz Cristiane Graciano (uma das personagens do filme), a pesquisadora e professora Juliana Teixeira e a historiadora Carolina Rocha como mediadora.
Em Belo Horizonte, a sessão especial ocorre na sexta (8), às 20h10, no UNA Cine Belas Artes. O debate reúne Karol Maia, Rosarina (uma das personagens), o padre Mauro (curador do Museu Muquifu) e a professora e pesquisadora Tatiana Carvalho como mediadora.
Já em Salvador, a sessão está marcada para o sábado (9), no Circuito Saladearte do Museu. A programação completa da capital baiana ainda será divulgada.
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Trabalho doméstico como espinha dorsal do país
Filha de uma ex-trabalhadora doméstica, Karol Maia conduz a narrativa em primeira pessoa. A diretora percorre quatro estados brasileiros historicamente marcados pela escravidão. Ela reúne relatos de mulheres que viveram nesses espaços.
O resultado é um documentário que articula memória, escuta e experiência pessoal para dar visibilidade a trajetórias marcadas por exploração, mas também por resistência, afeto e luta por direitos.
“Eu acredito que o ‘Aqui não entra luz’ é um filme sobre a história do Brasil porque, sem o trabalho doméstico, sem as trabalhadoras domésticas, sem as amas de leite, sem as babás, esse país sequer existiria como é hoje. O trabalho doméstico é uma espinha dorsal do Brasil. O trabalho doméstico está no nosso imaginário, mas também está no cotidiano”, afirma a diretora à Rádio Brasil de Fato.
O filme constrói um mosaico sobre o trabalho doméstico no Brasil, atividade exercida majoritariamente por mulheres negras e ainda marcada pela informalidade e precarização.
Os ingressos para as sessões no Rio e em Belo Horizonte estão disponíveis nas bilheterias e sites dos cinemas.
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